segunda-feira, 19 de maio de 2014

Iberê Camargo: Um Trágico nos Trópicos

por João Paulo Belentani




A exposição é dedicada ao pintor, desenhista, escritor e professor Iberê Camargo. Nela estão expostas mais de 145 obras do acervo da Fundação Iberê Camargo e de coleções particulares. A mostra aborda a questão do homem, seu corpo e sua existência, temas que marcaram sua trajetória. 
Com curadoria de Luiz Camillo Osório, a exposição retrospectiva tem como objetivo uma relação direta entre a presença viva da matéria pictórica e a potência trágica da pintura de Iberê.


Dado cor-de-rosa - 1982

A questão do corpo e da carne marca a obra do artista desde o início de sua carreira nos anos 1940 e a percorre até o final, nos anos 1990. Esta preocupação faz ressaltar a própria urgência da vida e sua inevitável finitude, com uma pincelada nervosa e precisa.

Jaguari -1941

Iberê exerceu forte liderança no meio artístico e intelectual durante sua carreira. Teve sua obra reverenciada em exposições como a Bienal de São Paulo, Bienal de Veneza, Bienal de Tóquio e a Bienal de Madri.


Crepúsculo da Boca do Monte - 1991



Iberê Camargo faleceu em 1994, em Porto Alegre, e deixou um acervo de mais de cinco mil obras entre elas pinturas, gravuras e desenhos.




Iberê Camargo: Um Trágico nos Trópicos
Data: de 3 de maio a 7 de julho de 2014.
Horário de funcionamento: das 9h às 21h.
Local: Centro Cultural Banco do BrasilRua Álvares Penteado, 112 – Centro − São Paulo.

A Arte do Esmalte

por Luiz Armando de Moura



O esmalte é um produto desenvolvido a partir da tecnologia do vidro, e é capaz de aderir a metais no momento da fusão, se vitrificando de modo duradouro e permitindo assim uma grande diversidade de expressões artísticas com esses metais. A exposição reúne obras dos artistas Carmen Lombardi, Cid Freitas, Helena Aico, Junko Tanizaki, Marilena Ramenzoni e Mirthes Bernardes.

As obras feitas com essa memorável técnica literalmente saltam para fora e por criam uma certa proximidade com o observador. Cada tom de cor se projeta para fora da tela de forma inexplicável. Isso se porque a fusão do metal e a vitrificação do material sob ele cria uma superfície irregular e bela, que quebra o plano bidimensional.


Ao mesmo tempo, existem obras nessa exposição que se dão por diferentes formatos e a discrepância dos estilos dos artistas é algo que fica na memória. O que mais me chamou a atenção foram as obras das artistas Carmen Lombardi e Junko Tanizaki, por referenciarem a arte oriental de forma extremamente fascinante ao mesmo tempo em que partem para direções diferentes.

Carmen Lombardi já parte pra um estilo que em muito lembra as obras do ukiyo-e (sobretudo as dos artistas Toyohara Kunichika e Utagawa Kunisada) e um pouco das obras características da Era Meiji, com sua temática tradicional.


Já partindo pra outra direção, Junko Tanizaki cria obras mais simples porém jamais menos graciosas e fascinantes, saindo do formato quadrangular, estabelecendo referências com a arte artesanal do oriente, utilizando de cores chapadas. 


Porém, apesar dessas obras terem me chamado mais a atenção, também memoráveis são as de Helena Aico, que abusam das cores e uma delas particularmente se sobressai não apenas por sua beleza estética mas por lembrar a animação "O Velho e o Mar" de Aleksandr Petrov. Ao contemplá-la, é difícil não animar o barco e as ondas com a mente. 


Partindo para a arte abstrata, é impossível não citar Cid Freitas, cujas obras também exercem fascínio no observador.


Como um fã da arte oriental - sobretudo a arte japonesa - perdi-me nos trabalhos de Lombardi e Tanizaki, porém, A Arte do Esmalte mostra estilos bem diferentes e pode agradar a diversos tipos de espectadores, principalmente ao expor uma técnica tão curiosa quanto a esmaltação.

Serviço da Exposição:
Quanto: Entrada franca.
Quando: De segunda a sábado, das 9h às 21h. Domingos e feriados, das 12h às 21h.
Onde: Conjunto Nacional. Avenida Paulista, 2073 - Jardim Paulista, SP
Até quando: Até 31 de Maio
Link relacionado: http://www.ccn.com.br/maio14.php



segunda-feira, 12 de maio de 2014

A Vida em Movimento - Jacques Henri Lartigue

por Mariana Percario Piedade


Lembrado, principalmente, pelas revistas francesas de esportes e de moda, aterriza em São Paulo o doce e irreverente fotógrafo, Jacques Henri Lartigue. A exposição "A Vida em Movimento" busca apresentar o Lartigue "das tardes de domingo"; expondo o acervo pessoal de fotos do fotografo e pintor: fotos dos diários de famílias, trechos do filme que filmou em casa (como ele mesmo disse, uma "distração" diante da Primeira Guerra Mundial), viagens e experiências podem ser encontradas, desde Fevereiro deste ano, no Instituto Moreira Salles.

Competição de planadores. O “Morcego” pilotado por Grandin, Combegrasse, agosto de 1912

É evidente o amor de Lartigue pelo movimento. Parece estar sempre tentando congelar momentos, ao passo que transmite uma agradável sensação de leveza; como se criasse um novo conceito de equilíbrio.

Tempestade em Nice, 12 de março de 1934

E a captação desse universo veloz o leva a fascinar-se por dois elementos, que estão constante presentes em suas criações: a água, como um espelho feroz, que aclara a alma humana, e o ar,  como um espírito leve, livre e impulsionador do homem e de suas criações.


Sala na rocha da Virgem, Biarritz, agosto de 1927 

A emoção que suas fotos carregam não podem ser percebidas pelos rostos de seus modelos, uma vez que Lartigue buscava captar fenômenos da natureza e invenções humanas irreverentes para o seu tempo. Entretanto, é notável a melancólica; saudosista sensação de "tempo passando". 

Casal da Meia Noite, Paris, 1925  

Há uma interação silenciosa do homem com o espaço, como se um espelhasse a alma do outro; o sentimento parece ter impregnado toda a cena. 


 Praia de Trouville, 1906 

O sucesso do artista francês surgiu graças às suas publicações em revistas de moda e automobilismo. Lartigue era reconhecido por captar "a sinceridade" de atrizes, modelos e atletas. A expressão dos modelos, nesse caso, surgia como ponto principal da foto, o que dava o tom da reportagem ou entrevista a que se referia.  

Renee Ciboure, 1930

   A beleza do trabalho de Jacques Henri Lartigue está na sua sensibilidade e na capacidade de juntar com leveza e harmonia fragmentos de um momento fugaz, mostrando que há muito mais do que os olhos podem ver. Às vezes, é preciso congelar o tempo e perder-se no espaço. 

Golo e Simone, floresta de Marly, 1 de maio de 1913 


Informações da exposição:

Quanto: Entrada franca.

Quando: até 25 de maio, sempre de terça a sexta, das 13 às 19h.

Onde:   Instituto Moreira Salles de São Paulo 
                 R. Piauí, 844, 1º andar, Higienópolis, São Paulo -SP

Link relacionado: http://www.lartiguenoims.com.br/lartigue-chega-a-sao-paulo/#.U3Gxq16r3wJ


Simone Rouzat, Setembro de 1913





Christian Boltanski - 19.924.458 +/-

Por Pedro Athie Della Manna













O artista francês Christian Boltanski recria a cidade de São Paulo em uma grande instalação a partir de caixas de papelão e listas telefônicas. O visitante se insere em uma experiência sensorial tanto visual quanto auditiva.

No momento em que adentrei a instalação a primeira sensação que me atingiu foi de estar entrando em um anorme cérebro no qual eu conseguia ouvir todos os pensamentos e sentir todas memórias que uma pessoa tivesse vivido. Andei entre os "prédios" de papelão, alguns menores e outros pouco maiores que a altura de uma pessoa. Enquanto andava procurava ler algumas das milhares de listas telefônicas coladas nos caixotes de papelão e ao mesmo tempo ouvia as diversas vozes que ecoavam no lugar. Elas eram vozes de pessoas que gravaram algumas memórias específicas para o artista e que agora faziam parte da obra "19.924.458 +/-".



A "cidade" é construída em volta de um rio artificial permanente do Sesc Pompéia, espaço onde a exposição acontece.




















Durante a exposição, enquanto entrava em contato com aquele ambiente um pouco labiríntico, o que me vinha a cabeça eram imagens. Imagens de diversas pessoas andando de um lado para o outro, conversando umas com as outras, gesticulando, interagindo. Creio que isso se deve ao fato de o tempo todo, na instalação, estarmos ouvindo aquelas conversas gravadas e olhando aquelas listas telefônicas. Era como se de fato estivéssemos em uma cidade construída e formada pelas pessoas e suas relações interpessoais. É por isso que Boltanski chama sua obra de arte total. É uma forma de arte em que todas as partes de quem a vivencia trabalham em busca de uma interpretação, "é como estar em uma piscina - estar dentro de alguma coisa", explicíta Boltanski. Estamos trabalhando os ouvidos, as mãos, os olhos, o nariz; inseridos em uma cidade artificial que é capaz recriar os sentimentos de quem vivencia a cidade real.



Além da "cidade", o artista ainda expõe números em uma placa digital que representariam os números da cidade de São Paulo e projeta imagens de imigrantes da cidade na cortina de entrada e saída do galpão. Os imigrantes de São Paulo constituem uma importante parte da formação de sua população, segundo o artista, e é por isso que não podem deixar de ser representados.  
Acho muito importante que um artista trabalhe com os limites do fazer artístico e demonstre o quão ilimitado ele pode ser, e mesmo assim, possuindo um valor estético ainda maior que o de costume. E Boltanski soube fazê-lo muito bem ao construir sua cidade imaginária a partir de suas experiências em São Paulo. Soube transmitir a sensação de constante mudança e fluxo em que vivemos nas grandes cidades de hoje em dia a partir de uma experiência única e multisensorial. 

A sensação de estar naquele local sem dúvida é única, mas um vídeo pode dar uma prévia do que seria estar lá:

*Christian Boltanski ainda possui uma sala no Sesc,onde está gravando batidas de corações os quais irá utilizar para deixar em um ilha na China para um projeto seu em andamento. 

Serviços: 
Local: Sesc Pompéia - área de convivência - r. Clélia, 93, Água Branca, região oeste de São Paulo.
Quando: Terça a Sábado - 10h às 20h/ Domingo - 10h às 18h 
Até 29/6
Quanto: Grátis



PASSAGENS POR PARIS - ARTE MODERNA NA CAPITAL DO SÉCULO XIX




Theresa Gallian


Passagens por Paris propõe um passeio pela arte moderna, com obras feitas entre 1866 e 1948 por artistas icônicos do período: Manet, Degas, Cézanne, Gauguin, Van Gogh, Matisse, Renoir, Toulouse-Lautrec, Picasso, Modigliani, entre outros. A exposição dá aos visitantes a oportunidade de apreciar algumas das obras mais representativas desse período.

Com curadoria de Teixeira Coelho e Denis Molino, a exposição trás como inspiração Walter Benjamin, que se refere às passagens, galerias comerciais de mercadorias de luxo que começaram a aparecer em Paris a partir do século XIX. Naquela época Paris era considerada a capital do mundo e sua força criativa e inspiradora atraíam (e ainda hoje atraem) artistas de todas as partes. Suas passagens, galerias comerciais levando de uma rua a outra, cheias de lojas atraentes e cenário singular da vida moderna, eram parte do mito da Cidade Luz.
"A dançarina Loïe Fuller vista dos bastidores – A roda”, Henri de Toulouse-Lautrec, 1893

A exposição cobre um período de quase um século e não se restringe a escolas. Há desde uma tela do impressionista Renoir, pintada em 1866, a um pastel do cubista Picasso.
Paris representou para os artistas da virada do século passado mais que uma cidade: foi um lugar de livre expressão. Os bohêmios se reuniam nos bares de Montmatre e discutiam sobre arte, política e filosofia, bebendo absinto e apreciando o ar de Paris. 



Edgar Degas – "Quatro bailarinas em cena"
Paul Cézzanne - "Madame Cézzanne em vermelho"

A exposição está em cartaz desde o começo de dezembro de 2013 e já logo de cara foi um sucesso de bilheteria. Os quadros fazem parte do acervo do MASP mas não ficarão expostos por muito tempo, embora não tenha uma previsão de encerrameto. Vale a pena conferir o "pedaço de Paris" em São Paulo, com pintores consagrados e obras conhecidas mundialmente.







Serviço

Período:A partir de 07 de dezembro de 2013 (sem previsão de encerramento, Acervo MASP)
Local: 2º andar do MASP, Galeria Georges Wildenstein
Curadoria:Teixeira Coelho e Denis Molino
Patrocínio: Banco BTG Pactual, Lei Federal de Incentivo à Cultura
Produção e Montagem: Equipe MASP
Horário: Ter./dom., 10h às 18h. Qui., até 20h. 
Ingressos: R$ 15 (ter., grátis)



















terça-feira, 6 de maio de 2014

Antonio Dias

Por Gabriela Jakutis de Almeida
 
A produção recente de telas do artista nascido em Campina Grande (PB) é o foco desta individual. Esses trabalhos atuais mantêm características como a pintura orgânica e a atenção de Dias ao tempo presente.
As telas incluídas na seleção atestam o vigor e a atualidade do trabalho do artista, que mantém sua inquietude na pesquisa por uma pintura orgânica, viva e em consonância com o tempo presente. Segundo a crítica Sonia Salztein, “o conjunto de pinturas recentes de Antonio Dias mantém-se no rumo tomado pelo artista desde meados da década de 1980. São trabalhos que confirmam procedimentos característicos do que ele iniciava naquele momento". A série traz assemblages de telas justapostas, sobrepostas, unidas caoticamente, desconstruindo a noção bidimensional da pintura por meio de seus volumes e da irregularidade do contorno.
Mas não apenas essa alternância de enquadramento e superfície subverte o caráter pictórico tradicional: na aparente monotonia dos padrões impressos em cada um dos módulos pela pigmentação irregular, quase abandonada à própria sorte graças à deposição de materiais voláteis – pigmentos, elementos minerais, aglutinantes – Dias cria unidades cromáticas que integram o conjunto como peças de um mosaico, formando nuances visuais capciosas, a enganar o olho pelo rompimento abrupto das temperaturas de cor e das padronagens orgânicas, que despertam o espectador acostumado à harmonia e à perfeição próprias do mundo tecnológico e industrial.
 
 
 
 
 
 
Galeria Nara Roesler
Avenida Europa, 655  Jardim Europa - Oeste  

(011) 3063-2344
www.nararoesler.com.br
- Acesso para deficiente
De 04/04/2014 até 06/05/2014





domingo, 4 de maio de 2014

Veni Vidi Succumbe- Marcus Jansen



Por Maria Luiza Zaorob

A exposição “Veni Vidi Succumbe” do americano Marcus Jansen, consiste em trina telas que retratam a aridez e decadência das megalópoles. Em cartaz na Galeria Roberta Britto, o artista plástico considerado um dos precursores do expressionismo urbano, expõe pela primeira vez no Brasil.
 A mostra reflete a vida do pintor que foi um dos combatentes da Guerra do Golfo, por meio da reconstrução da paisagem urbana, que reflete o declínio do Império Americano, e é o foco da exposição.
Busca-se apresentar através de diversos planos e perspectivas, os dramas urbanos paralelos, fazendo com que o espectador perca a referência a um espaço tradicional e sua consequente construção tridimensional. É retratado o declínio dos Estados Unidos enquanto “império” e são realizadas críticas aos símbolos mundiais de consumo, expondo a cidade sem sua tridimensionalidade, destacando aspectos despercebidos como objetos ou mesmo pessoas, as quais aparecem solitárias em megalópoles tão plurais, mas ao mesmo tempo tão individual.
                                  (Albino in the wild- Marcus Jansen)

A curadora Dinah Guimaraens defende que as obras do artista remetem a características de vanguardas como Cubismo, Surrealismo e, principalmente, Expressionismo. “Essas marcas estão presentes no craqueamento de planos, uso de cores intensas em guache, colagens, que criam um ambiente onírico e surreal”. Ainda de acordo com a curadora, o período em que foi membro do exército americano, de 1990 a 1997, marcou muito o seu trabalho.
                                   (Artificial farms- Marcus Jansen)
Serviço:
Onde: Galeria Roberta Britto, Rua Oscar Freire, 562.
Quando: De segunda a sexta das 10h às 19h, sábados das 10h às 18h, e domingos das 14h às 18h.
De 30 de abril a 11 de maio de 2014.
Quanto: Entrada gratuita.
Informações: (11) 3062 7350